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Cacau segue pressionado com queda na demanda global e acúmulo de estoques na África

Uma árvore de cacau ( Theobroma cacao ) com frutos em vários estágios de maturação. Crédito da imagem: Marco Vasquez

O mercado internacional de cacau continua sob pressão após a divulgação de indicadores negativos na última semana, refletindo a desaceleração da demanda global e entraves logísticos nos principais países produtores africanos. O cenário foi agravado pelos resultados financeiros de grandes companhias do setor, como Mondelez e Hershey, que reportaram quedas nas vendas trimestrais de 9,4% e 5%, respectivamente, reforçando o pessimismo entre investidores.

Em Gana, autoridades informaram que aproximadamente 50 mil toneladas de cacau permanecem retidas e não comercializadas nos portos, embora estimativas de mercado indiquem que o volume real pode ser superior. Situação semelhante ocorre na Costa do Marfim, maior produtor mundial, onde cerca de 100 mil toneladas estariam encalhadas. Além dos gargalos logísticos, cresce a preocupação com a deterioração do produto no interior do país, o que pode comprometer a qualidade da safra.

No mercado futuro, o contrato de cacau com vencimento em maio encerrou a sessão de sexta-feira cotado a US$ 4.286, com queda diária de US$ 8. Durante o pregão, os preços oscilaram entre US$ 4.157 e US$ 4.329. O volume negociado foi de 46.189 contratos, com 19.428 negócios realizados. O interesse em aberto recuou 954 contratos, totalizando 161.538, sinalizando redução da participação dos investidores.

Os estoques certificados nos portos dos Estados Unidos, monitorados pela ICE, permaneceram estáveis em 1.804.802 sacas, não indicando, por ora, pressão adicional pelo lado da oferta nos principais centros consumidores.

Na análise técnica, o Índice de Força Relativa (RSI) do cacau gira em torno de 33%, nível que indica condição próxima de sobrevenda. As principais resistências do contrato de maio estão localizadas nas faixas de US$ 4.500/4.550 e US$ 4.900, enquanto os suportes mais relevantes aparecem em US$ 4.000 e US$ 3.700.

Dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostram que, entre 27 de janeiro e 3 de fevereiro de 2026, os fundos reduziram suas posições em 747 contratos, mantendo uma posição líquida vendida de 13.451 contratos. Os pequenos especuladores também permanecem vendidos, com 3.103 contratos, apesar de uma redução de 1.230 contratos no período.

No mercado cambial, o contrato futuro do dólar com vencimento em março de 2026 opera estável, em torno de R$ 5,25, fator que segue influenciando a formação dos preços das commodities no curto prazo.

Fonte: mercadodocacau

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