Micro-organismo pode causar problemas em imunocomprometidos
| © Joédson Alves/Agência Brasil |
A bactéria Pseudomonas aeruginosa, identificada em produtos da indústria Ypê, é conhecida pela alta resistência a antibióticos e pode representar riscos principalmente para pessoas com o sistema imunológico comprometido. O alerta foi reforçado por especialistas em entrevistas à Agência Brasil.
Segundo o infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, a bactéria raramente provoca doenças espontaneamente em pessoas saudáveis, mas pode causar infecções graves em ambientes hospitalares, especialmente em pacientes que utilizam respiradores, cateteres ou traqueostomia.
O médico explicou que a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria ambiental, capaz de sobreviver em água e locais úmidos, o que facilita sua presença em esponjas de lavar louça, panos de chão e outros materiais domésticos. Diferente de bactérias que vivem naturalmente no organismo humano, ela é considerada de “vida livre”, sendo encontrada no solo, na água e em ambientes úmidos.
De acordo com decisão divulgada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da Ypê com lotes terminados em número 1 deverão ser recolhidos e não podem ser utilizados pelos consumidores.
Especialistas alertam que o maior risco está relacionado às pessoas imunocomprometidas, como pacientes em tratamento quimioterápico, pessoas com doenças pulmonares crônicas ou internadas em hospitais. Nesses casos, a bactéria pode provocar infecções urinárias, respiratórias e até infecções na corrente sanguínea.
A professora da Universidade Federal Fluminense, Raiane Cardoso Chamon, destacou que pacientes com fibrose cística estão entre os grupos mais vulneráveis, já que a bactéria frequentemente está associada a quadros de pneumonia de difícil tratamento.
Ela também ressaltou que, embora o maior risco esteja em pessoas com baixa imunidade, determinadas cepas podem provocar problemas em indivíduos saudáveis, como a chamada “otite de nadador”, associada ao contato com águas recreativas contaminadas.
Segundo os especialistas, o cenário mais preocupante ocorre quando a bactéria chega ao ambiente hospitalar. Isso porque, nesses locais, o uso intenso de antibióticos favorece o desenvolvimento de cepas ainda mais resistentes, dificultando o tratamento das infecções.
A médica acredita que a contaminação dos produtos possa ter ocorrido durante o processo de fabricação, possivelmente por falhas no controle microbiológico ou por contaminação de reagentes utilizados na produção. Ela explicou que existem níveis aceitáveis de micro-organismos em determinados produtos, mas que esses limites não podem ser ultrapassados para evitar riscos à saúde.
Em nota divulgada na quinta-feira (7), a Ypê informou que está colaborando com a Anvisa e adotando medidas para atender às exigências regulatórias. A empresa afirmou ainda que realiza análises técnicas, testes independentes e avaliações complementares para garantir a segurança e a conformidade dos produtos.
A companhia também declarou que irá incorporar eventuais recomendações da Anvisa ao seu Plano de Ação e Conformidade Regulatória, desenvolvido em conjunto com a agência desde dezembro de 2025. Até a publicação da matéria original, a empresa não havia se manifestado novamente sobre o caso.
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