Iɴғᴏʀᴍᴀᴄ̧ᴀ̃ᴏ ᴇ́ ᴄᴏɪsᴀ sᴇ́ʀɪᴀ

Brasil registra 232 desaparecimentos por dia em 2025; crianças e adolescentes representam 30% dos casos

Justin Paget/GettyImages

O Brasil registrou, em 2025, uma média alarmante de 232 desaparecimentos por dia, segundo dados do Ministério da Justiça. No acumulado do ano, 84.760 pessoas foram dadas como desaparecidas, número que representa um crescimento de 4,12% em relação a 2024. Do total, cerca de 30% são crianças e adolescentes, o que reforça a gravidade social do problema.

As informações foram compiladas a partir de boletins de ocorrência das delegacias dos 26 estados e do Distrito Federal. O estado de São Paulo lidera o ranking nacional, com mais de 20 mil casos, o equivalente a quase 50 registros diários, um aumento de aproximadamente 3% em comparação ao ano anterior.

Na sequência aparecem Minas Gerais, com 9.139 desaparecimentos, seguido por Rio Grande do Sul (7.611), Paraná (6.455) e Rio de Janeiro (6.331), completando o top 5 dos estados com maior número de ocorrências.


Cadastro nacional ainda enfrenta baixa adesão

Em 2025, o governo federal recriou o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, com o objetivo de centralizar informações e facilitar a cooperação entre autoridades. Apesar da iniciativa, apenas 12 estados aderiram ao sistema, o que limita a efetividade da ferramenta.

Especialistas defendem que um banco de dados unificado permitiria consultas por serviços públicos e privados, especialmente nas áreas de saúde e assistência social, ajudando na identificação de pessoas em situação de vulnerabilidade.

“No Brasil temos cadastros de imóveis, de veículos automotores, entre outros, mas ainda não temos efetivamente um cadastro único nacional de pessoas desaparecidas. Nos últimos anos os números de homicídios diminuíram, mas os de desaparecidos aumentaram. Isso aponta que alguns homicídios podem ter migrado para situações de assassinatos com ocultação de cadáver”, afirma Ariel de Castro Alves, membro da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente da OAB e ex-secretário nacional dos direitos da criança.


Perfil dos desaparecimentos e críticas à atuação do poder público

Do total de registros em 2025, 54.102 são homens e 30.050 mulheres. O mês com maior número de ocorrências foi março, com 7.536 casos. A taxa nacional de desaparecimentos chegou a 40 pessoas a cada 100 mil habitantes.

Para Ariel de Castro Alves, a ausência de políticas públicas específicas agrava o cenário.


“O Brasil ainda não tem políticas públicas de busca, localização e investigação de desaparecimentos. Os poderes públicos se omitem nessa área. Os casos são negligenciados nas repartições policiais. Dificilmente as polícias investigam casos de desaparecimentos”, relatou à CNN Brasil.

O aumento contínuo dos registros e a baixa integração entre os estados evidenciam a necessidade urgente de ações coordenadas, investimento em investigação e ampliação do cadastro nacional, especialmente para proteger crianças, adolescentes e populações mais vulneráveis.

Con informações da CNN Brasil 

Post a Comment

أحدث أقدم

PUBLICIDADE

Veja no Tiktok