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| Tancredo Neves durante discurso, em foto de julho de 1984 — Foto: Antonio Lúcio/Estadão Conteúdo/Arquivo |
Quarenta e um anos após a morte de Tancredo de Almeida Neves, o Brasil ainda revisita o legado de um dos principais articuladores da redemocratização. Eleito presidente da República em 1985, Tancredo não chegou a assumir o cargo, mas sua atuação política foi decisiva para encerrar o regime militar iniciado em 1964 e restituir o poder aos civis.
Figura marcada pela habilidade de negociação, o mineiro construiu sua trajetória evitando radicalismos e apostando no diálogo como ferramenta central da política. Descrito por contemporâneos como “arquiteto” e “fiador” da transição democrática, tornou-se símbolo de uma mudança conduzida mais pela articulação do que pelo confronto direto.
Sua eleição, ainda pelo voto indireto, representou o desfecho de um longo processo de abertura política. Escolhido para suceder o general João Figueiredo, Tancredo adoeceu na véspera da posse. Submetido a uma sequência de cirurgias, passou 39 dias internado até morrer em 21 de abril de 1985, em São Paulo, aos 75 anos. O anúncio oficial foi feito pelo então porta-voz Antônio Britto, em rede nacional, provocando comoção imediata.
A reação popular foi intensa. Multidões acompanharam o traslado do corpo por cidades como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e São João del-Rei. Para o então vice-presidente José Sarney, que assumiu definitivamente o cargo, aquele momento representou um dos maiores episódios de mobilização emocional da história do país.
Coube a Sarney dar continuidade ao projeto político de Tancredo, conduzindo a convocação da Assembleia Constituinte que resultaria na Constituição de 1988 e garantindo a transição até a eleição direta de Fernando Collor, em 1989 — a primeira após o regime militar.
Trajetória política
Nascido em São João del-Rei, em Minas Gerais, em 1910, Tancredo iniciou sua vida pública ainda jovem, como vereador. Formado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, construiu carreira como deputado estadual e federal antes de chegar ao cenário nacional.
Durante o governo de Getúlio Vargas, ocupou o cargo de ministro da Justiça e esteve presente em um dos momentos mais dramáticos da política brasileira: o suicídio do presidente, em 1954, no Palácio do Catete.
Mais tarde, atuou ao lado de Juscelino Kubitschek, contribuindo para garantir sua posse em meio a tensões políticas. Em 1961, diante da crise provocada pela renúncia de Jânio Quadros, foi peça-chave na solução que permitiu a posse de João Goulart sob o regime parlamentarista. Nesse contexto, assumiu o cargo de primeiro-ministro — o mais alto de sua carreira.
Nascido em São João del-Rei, em Minas Gerais, em 1910, Tancredo iniciou sua vida pública ainda jovem, como vereador. Formado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, construiu carreira como deputado estadual e federal antes de chegar ao cenário nacional.
Durante o governo de Getúlio Vargas, ocupou o cargo de ministro da Justiça e esteve presente em um dos momentos mais dramáticos da política brasileira: o suicídio do presidente, em 1954, no Palácio do Catete.
Mais tarde, atuou ao lado de Juscelino Kubitschek, contribuindo para garantir sua posse em meio a tensões políticas. Em 1961, diante da crise provocada pela renúncia de Jânio Quadros, foi peça-chave na solução que permitiu a posse de João Goulart sob o regime parlamentarista. Nesse contexto, assumiu o cargo de primeiro-ministro — o mais alto de sua carreira.
Resistência à ditadura
Com o golpe militar de 1964, Tancredo manteve posição firme em defesa da legalidade. No Congresso, reagiu de forma contundente à declaração de vacância da Presidência, que oficializou a deposição de Goulart.
Durante o regime, filiou-se ao MDB, partido de oposição consentida, e adotou uma estratégia pragmática: resistir dentro das regras impostas, evitando confrontos que pudessem inviabilizar sua atuação política. Essa postura permitiu que continuasse ativo e influente ao longo dos anos de repressão.
Caminho até a redemocratização
Eleito senador em 1978 e governador de Minas Gerais em 1982, Tancredo teve papel relevante na articulação do movimento pelas Diretas Já. Embora apoiasse a mobilização popular, avaliava que a saída mais viável naquele momento seria a eleição indireta, por meio do colégio eleitoral.
A derrota da emenda que previa eleições diretas em 1985 não interrompeu o processo de abertura. Pelo contrário, fortaleceu a união das forças oposicionistas, que culminaria na eleição de Tancredo.
Quarenta anos depois, sua trajetória segue sendo referência quando o tema é construção de consensos. Para muitos analistas, o legado do mineiro está menos em cargos ocupados e mais na forma como conduziu negociações em um dos períodos mais delicados da história brasileira. Com informações do Portal g1.
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