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| Foto: Reprodução/Internet |
O número de jovens brasileiros que não estudam nem trabalham voltou a crescer no país. Dados do Ministério do Trabalho mostram que, no primeiro trimestre deste ano, a chamada geração "nem-nem" chegou a 6,2 milhões de pessoas entre 14 e 24 anos, o equivalente a 18,7% dessa faixa etária. Em comparação com os últimos três meses do ano passado, o aumento foi de 12,7%.
O levantamento também aponta que, embora a taxa de desemprego entre os jovens tenha diminuído desde o auge da pandemia, em 2021, ela ainda permanece cerca de duas vezes maior do que a média nacional.
Outro dado que chama atenção é o perfil dessa população: cerca de 70% são mulheres. Entre os principais motivos para o afastamento dos estudos e do mercado de trabalho estão a gravidez precoce e a necessidade de cuidar dos filhos e das tarefas domésticas.
A realidade é retratada pela história de Fabrícia Ágata Nascimento Scher, de 24 anos. Ela interrompeu os estudos no último ano do ensino médio após o nascimento da filha e, desde então, tem sobrevivido com trabalhos informais como manicure e cuidadora. Sem uma rede de apoio para cuidar da criança, Fabrícia afirma que não consegue manter um emprego formal.
"Me arrependo de não ter estudado", desabafa. O sonho dela é concluir os estudos e se tornar enfermeira.
Outra jovem que enfrenta situação semelhante é Vitória Gomes, de 20 anos. Ela deixou a escola quando estava perto de concluir o segundo ano do ensino médio e trabalhou por pouco tempo como atendente de restaurante. Agora, busca retomar os estudos para realizar o sonho de cursar Farmácia.
Especialistas alertam que o crescimento da geração "nem-nem" não deve ser interpretado como falta de interesse dos jovens. Para o economista Hélio Zylberstajn, especialista em mercado de trabalho, o problema está ligado principalmente às dificuldades enfrentadas pelas mulheres.
"Não é um problema de desinteresse do jovem. A maioria são mulheres que precisam ajudar em casa ou cuidar dos filhos, muitas vezes em razão da gravidez precoce", explica.
Além disso, o mercado de trabalho também apresenta desafios. Quase 40% dos jovens trocam de emprego antes de completar um ano, geralmente por causa dos baixos salários, da baixa qualificação profissional e das longas jornadas de trabalho, fatores que dificultam a construção de uma carreira e incentivam a permanência na informalidade.
O cenário reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à permanência dos jovens na escola, à qualificação profissional e à ampliação do acesso ao emprego, especialmente para as mulheres que enfrentam dificuldades para conciliar maternidade, estudos e trabalho.
Com informações da Band

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