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Quase 64 milhões de brasileiros ainda não concluíram a educação básica, aponta estudo

Educação de JOvens e Adultos (EJA) (Divulgação/Governo do Estado do Paraná)
Educação de JOvens e Adultos (EJA) (Divulgação/Governo do Estado do Paraná)

O Brasil ainda enfrenta um dos maiores desafios de sua história na área da educação. Um novo estudo divulgado nesta terça-feira (7) revela que cerca de 63,9 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais estão fora da escola sem terem concluído a educação básica. Diante desse cenário, foi lançada a Rede EJA e Inclusão Produtiva, iniciativa que reúne 16 organizações da sociedade civil, fundações e organismos internacionais com o objetivo de fortalecer políticas públicas e ampliar o acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA).

A rede nasce em um momento considerado estratégico para o país, com a implementação do novo Plano Nacional de Educação (PNE). A proposta é unir esforços entre governos, instituições privadas, organizações sociais e organismos internacionais para incentivar o retorno de jovens, adultos e idosos às salas de aula, promovendo não apenas a escolarização, mas também oportunidades de inclusão produtiva.

O levantamento mostra que a realidade é preocupante. Dos quase 64 milhões de brasileiros que não concluíram a educação básica, aproximadamente 44,7 milhões interromperam os estudos antes de finalizar o ensino fundamental, enquanto outros 19,3 milhões não chegaram ao fim do ensino médio. A maioria desse público é composta por pessoas pretas e pardas, que representam 63,9% do total, evidenciando como a desigualdade educacional acompanha as desigualdades sociais e raciais do país.

Os dados também revelam que a Educação de Jovens e Adultos ainda alcança uma parcela muito pequena da população que necessita desse atendimento. Atualmente, a modalidade atende apenas cerca de 1,5% da demanda potencial. Segundo os pesquisadores, esse índice demonstra que milhões de brasileiros permanecem sem acesso a uma política pública essencial para recuperar o tempo perdido nos estudos.

Outro dado que chama atenção é que a redução no número de pessoas sem educação básica completa, registrada entre 2012 e 2025, não ocorreu principalmente porque mais brasileiros voltaram a estudar. De acordo com o estudo, apenas uma pequena parcela dessa queda pode ser atribuída à atuação da EJA. A maior parte da redução aconteceu em razão do envelhecimento e da mortalidade da população, o que reforça a necessidade de ampliar políticas que garantam o direito à educação antes que essas pessoas deixem de ter essa oportunidade.

Além dos impactos sociais, a baixa escolaridade também afeta diretamente a economia. O estudo estima que o país deixa de gerar cerca de R$ 66 bilhões por ano em renda do trabalho em consequência da baixa qualificação da população adulta. A renda média das pessoas que não concluíram a educação básica corresponde a pouco mais da metade da renda daqueles que finalizaram essa etapa de ensino, evidenciando a relação entre escolaridade, empregabilidade e melhores condições de vida.

A pesquisa aponta ainda que as regiões Norte e Nordeste concentram os maiores déficits educacionais do país. Em diversas localidades, mais da metade da população adulta ainda não concluiu a educação básica. No entanto, o problema também está presente em municípios do interior das regiões Sudeste e Centro-Oeste, indicando a necessidade de políticas públicas voltadas às diferentes realidades territoriais.

Os desafios para retornar à escola também variam entre homens e mulheres. Enquanto muitos homens abandonam os estudos por causa da necessidade de trabalhar, entre as mulheres pesam fatores como a maternidade, os cuidados com os filhos e as responsabilidades domésticas. Para os pesquisadores, ampliar apenas a oferta de vagas não é suficiente. É necessário criar condições que permitam conciliar estudo, trabalho e vida familiar, incluindo medidas como ampliação da oferta de creches, horários flexíveis e ações de apoio à permanência dos estudantes.

Como resposta ao cenário identificado, o relatório apresenta uma série de propostas para fortalecer a Educação de Jovens e Adultos. Entre elas estão a ampliação da busca ativa de pessoas que abandonaram a escola, maior investimento nas regiões com maior déficit educacional, integração entre políticas de educação, trabalho e proteção social, além do fortalecimento do financiamento da modalidade, da formação continuada de professores e da atualização dos materiais didáticos.

A expectativa é que a Rede EJA e Inclusão Produtiva atue ao longo da próxima década articulando ações entre diferentes setores para transformar as metas do novo Plano Nacional de Educação em políticas públicas permanentes. Para os organizadores, ampliar o acesso à Educação de Jovens e Adultos é um passo fundamental para reduzir desigualdades, promover inclusão social e garantir que milhões de brasileiros tenham a oportunidade de concluir a educação básica e construir novas perspectivas de futuro.

Fonte: Central Creche do Brasil 

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