Pesquisador baiano desenvolve nova forma de extrair amido da pupunheira

Foto: Divulgação

Foi durante o projeto de doutorado do professor Biano Melo Neto, na Universidade Federal da Bahia (Ufba), que a ideia de utilizar a pupunha para aplicá-la em alimentos e embalagens biodegradáveis surgiu. Junto à sua equipe, que contou com apoio de pesquisadores do Instituto Federal Baiano de Uruçuca, o professor identificou que grandes volumes de resíduos sólidos são gerados durante a exploração agroindustrial da planta. “Ainda que possua grande potencial na alimentação humana, sua produção é totalmente destinada à obtenção de sementes e grande parte da matéria-prima é descartada”, disse Biano. Com o objetivo de reutilizar as partes da árvore que seriam desprezadas, o professor encontrou um meio de aproveitá-las a partir de seu principal nutriente, o amido.


A polpa da pupunheira é rica em amido, mas, segundo o professor, costuma ser subutilizada. Em avaliações realizadas no IF Baiano, foi verificado que os frutos desta árvore são extremante ricos nesse nutriente, mas o problema é que a extração dele é cientificamente complexa. Foi a partir desta problemática que a equipe propôs uma metodologia capaz de associar rendimento e pureza durante o processo de extração. “A inovação se deu em quatro etapas. A primeira, direcionada a otimizar a extração dessa substância do fruto, a segunda, direcionada à caracterização química e funcional do amido, a terceira, ao estudo das propriedades térmica, morfológica e estrutural, a quarta, à aplicação do amido obtido em alimentos e na produção de um compósito termoplástico biodegradável”.


Com os primeiros resultados, a viabilidade da nova forma de extração foi confirmada e indicou o potencial para ser aplicada nas indústrias de alimentos, cosméticos, fármacos ou de termoplásticos destinados à confecção de matérias, com foco em materiais biodegradáveis. Para o idealizador do trabalho, as empresas processadoras de palmito de pupunha, precisavam investir na produção de alimentos, de forma limpa e sustentável. Agora, com a nova metodologia proposta pela equipe, esses objetivos tornam-se mais acessíveis. “Com este método, ofertamos à indústria e à sociedade em geral, que consome diversos produtos que contém amido, uma matéria-prima com alto grau de pureza, com propriedades nutricionais, químicas, funcionais, térmicas e mecânicas”.


O projeto inovador, que recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), conquistou sua patente de invenção no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) este ano. Foi o primeiro registro de carta-patente conferido ao IF Baiano.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br.

Fonte: Secti/Bahia 

Deixe seu comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem