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EUA aplicam tarifas de 25% sobre produtos importados do Brasil; governo americano sinaliza possível ampliação de exceções

Tarifaço entra em vigor em 22 de julho
Reprodução/Facebook

As negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre a imposição de novas tarifas a produtos brasileiros chegaram ao fim nesta semana, sem um acordo entre os dois governos. Em reunião virtual realizada na terça-feira (14), o chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, informou que já encaminhou ao presidente Donald Trump a recomendação final sobre o novo pacote tarifário, mas indicou que a lista de produtos isentos poderá ser ampliada.

Segundo relatos de participantes do encontro divulgados pela CNN, Greer afirmou que as conversas foram encerradas e criticou o que classificou como falta de empenho do governo brasileiro durante as tratativas.

As declarações foram contestadas por representantes do Brasil, entre eles o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, além dos embaixadores Mauricio Lyrio, um dos principais negociadores do Itamaraty, e Audo Faleiro, assessor internacional da Presidência da República.

Os representantes brasileiros defenderam que os Estados Unidos não apresentaram fundamentos técnicos suficientes para sustentar a investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana. Entre os pontos levantados por Washington estão críticas relacionadas ao desmatamento no Brasil, argumento que, segundo o governo brasileiro, contraria os indicadores mais recentes sobre a Amazônia.

Durante a reunião, as autoridades brasileiras também lembraram que propuseram uma redução das tarifas de importação sobre o etanol americano em troca de maior acesso do açúcar brasileiro ao mercado dos Estados Unidos. De acordo com os relatos, a proposta foi rejeitada pelo USTR.

Greer afirmou ainda que não haverá uma "lista dinâmica" de exceções às novas tarifas, indicando que, diferentemente do modelo adotado anteriormente, não estão previstos ajustes graduais com a inclusão de novos produtos isentos após a entrada em vigor das medidas.

Apesar disso, o representante americano informou ter registrado os argumentos apresentados pelo governo brasileiro e pelo setor privado em defesa de uma ampliação da lista de exceções já no anúncio oficial do novo tarifaço.

O governo brasileiro reforçou, durante a negociação, que parte significativa do comércio bilateral envolve subsidiárias de empresas norte-americanas instaladas no Brasil, responsáveis pela exportação de peças e componentes produzidos no país para suas matrizes nos Estados Unidos. A avaliação é de que esse perfil do comércio pode favorecer a inclusão de mais produtos industrializados na lista de exceções.

Atualmente, a proposta em discussão afetaria cerca de 21% do valor das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Integrantes do governo mantêm expectativa de que esse percentual possa ser reduzido caso novas exceções sejam confirmadas.

Ao final da reunião, Jamieson Greer demonstrou disposição para manter o canal de diálogo aberto com o governo brasileiro. Antes do encerramento do encontro, representantes do Brasil reforçaram a intenção de continuar as negociações, afirmando: "Nós estamos aqui."

As informações da CNN Brasil 

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