O colapso do maior banco digital do país, o Ueno Bank, congelou os depósitos de 60% da população adulta e forçou a saída do mandatário em meio a acusações de conflito de interesses
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| Foto: Divulgação/Google Imagens |
ASSUNÇÃO, PARAGUAI — Em uma das maiores reviravoltas políticas da história recente do Paraguai, o presidente Santiago Peña anunciou oficialmente sua renúncia ao cargo na tarde desta quinta-feira, 5 de novembro de 2026. A decisão foi comunicada por meio de um pronunciamento em vídeo gravado em suas redes sociais, após dias de intensos protestos populares nas ruas da capital e forte pressão interna de seu próprio partido, o Partido Colorado.
O Estopim: A queda do Ueno Bank
A derrocada do chefe de Estado paraguaio está diretamente ligada ao colapso do Ueno Bank, a maior instituição bancária digital do país. No início da semana, o Banco Central do Paraguai determinou a intervenção e liquidação da entidade devido a um rombo financeiro insustentável decorrente de empréstimos irregulares.
O fechamento repentino do banco provocou pânico generalizado no país:
Impacto Social: Mais de 3 milhões de correntistas — o equivalente a cerca de 60% da população adulta paraguaia — tiveram suas contas e cartões travados.
Prejuízo Público: O colapso financeiro congelou cerca de US$ 850 milhões em fundos pertencentes a órgãos e depósitos do setor público.
Peña, que é economista de formação, viu-se no centro do furacão ao ser revelado que ele atuou como acionista do grupo controlador do banco até março do ano passado. A oposição e movimentos sociais acusaram o governo de acobertar fraudes e de grave conflito de interesses.
Impasse político no Congresso
Apesar de ter entregado sua carta de renúncia, Santiago Peña continua tecnicamente à frente do Executivo paraguaio devido a uma complexa manobra política em Assunção.
Pouco após o anúncio da saída de Peña, parlamentares da base governista decidiram esvaziar o plenário do Congresso, impedindo que a sessão atingisse o quórum necessário para votar e aceitar formalmente o pedido de demissão. O objetivo da manobra é evitar que Peña assuma o cargo automático de senador vitalício, o que lhe garantiria foro privilegiado contra investigações criminais comuns decorrentes do caso do Ueno Bank.
Em paralelo, a Câmara dos Deputados aprovou em ritmo acelerado o andamento do processo de impeachment do presidente. Com a renúncia travada, os senadores decidiram dar prosseguimento ao julgamento político por crime de responsabilidade. O Senado convocou oficialmente Santiago Peña para apresentar sua defesa pessoal e formal na manhã desta sexta-feira, 6 de novembro de 2026, às 10h.
Caso o processo de destituição seja concluído antes da validação da renúncia, Peña perderá os direitos políticos e os privilégios parlamentares protetivos. Se a situação se consumar, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando definitivo do país.

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